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Além dos remédios


Meu remédio acabou! O que vou fazer?!
O clássico transtorno da caixa vazia, o desespero que assola, como se o único meio de combater uma doença fosse um comprimido. Por mais útil que seja, o tratamento farmacológico representa apenas um dos vários tipos de tratamentos disponíveis. Um estudo1 em larga escala realizado no Reino Unido (2018) demonstrou que antidepressivos usados para tratar a síndrome do pânico tem uma eficácia questionável, dependendo da gravidade da doença. A questão da eficácia é tratada em maiores detalhes na seção 'Análise Clínico' abaixo.

Mesmo com benefícios moderados, a medicação é recomendada durante a fase mais aguda da doença, que pode se estender por alguns anos. Portanto, o tratamento farmacológico deve ser acompanhado de terapia e/ou mudança de hábitos do indivíduo. Infelizmente, a pessoa é raramente informada de maneira satisfatória pelos profissionais da saúde, à respeito das opções de tratamento disponíveis. A seguir, algumas sugestões de tratamento, por categoria e ordem alfabética:

Psicoterapia
Terapia Holística
Outros
Acesso ao tratamento

Com 70% da população brasileira2 sem seguro de saúde privado, o acesso ao tratamento e terapia profissional é dificultado pelo seu custo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico, psiquiátrico e terapêutico gratuito nos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). As Clínicas-Escola são espaços das Faculdades de Psicologia destinados a oferecer atendimento psicológico gratuito à comunidade. Algumas instituições beneficentes oferecem atendimento e tratamento a baixo custo ou gratuitamente, como em centros holísticos ou espíritas.

É interessante notar que as criticas direcionadas à medicina dita 'alternativa' vem principalmente do meio acadêmico e científico, isso quando o tratamento considerado 'primário', o farmacológico, não possui comprovação científica convincente. É do nosso ver que na área da saúde mental, não há tratamento 'primário' ou 'alternativo', mas sim vários tratamentos, com eficácia variável de um individuo para outro. O tratamento farmacológico não é considerado de 'primeira linha' por questão de eficácia, mas de mercado, conforme veremos a seguir.


Atividades

Atividades sadias frequentemente aliviam o quadro de doenças psíquicas. O exercício físico, as vezes evitado ou ignorado pelo paciente, é fator de equilíbrio fisiológico, psíquico e emocional. A prática desinteressada da caridade no seu sentido amplo, além de contribuir para o bem estar alheio, enobrece quem a pratica, que por sua vez recebe o 'troco' em forma de serenidade. É hoje comprovado3 que a fé, independente de credo, é poderoso aliado contra transtornos psíquicos, enquanto a meditação facilita o controle do pensamento, a confiança e o autoconhecimento.

Análise Clínico - O efeito placebo

Ensaios clínicos ou testes são realizados para avaliar a eficácia de um dado remédio ou tratamento. Os pacientes que participam no estudo são informados que testarão um novo remédio por um prazo determinado, avaliando-o e relatando a sua experiência. À sua revelia, os pacientes são divididos em um grupo 'ativo' que recebe o remédio, e um grupo 'placebo', que recebe um remédio sem propriedade medicinal qualquer, ou seja, uma pílula de farinha. Depois do prazo, as avaliações dos dois grupos são compiladas e comparadas, assim demonstrando se o remédio traz beneficio ou não.

O estudo1 citado acima, que analisou 10 ensaios clínicos com um total de 2,151 participantes com a síndrome do pânico, concluiu que:
Para o TAG e SP, os benefícios dos antidepressivos, além do placebo, são pequenos em (casos de) baixa gravidade, e a relação benefício-risco pode ser desfavorável para esses pacientes.
Em outras palavras, o remédio ativo tem uma eficácia semelhante (0.2-0.5) ao placebo ou pílula de farinha em pacientes com síndrome de pânico leve (1 a 9 crises por semana) e moderada (10 a 19 crises/sem). Já para casos graves, a eficácia do remédio se mostra mais significante (3.0+). Para os casos leves, as desvantagens do antidepressivo tal como efeitos colaterais e prejuízo à saúde podem superar os seus benefícios. Em caso de dúvidas, esta questão deve ser abordada abertamente com o profissional da saúde.

Em suma, o tratamento farmacológico não deve ser considerado o único, mas parte integrante de um tratamento mais amplo, que abrange os aspectos psicológicos, comportamentais e espirituais do indivíduo.


Simon Baush

Referencias

1https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/da.22737
2https://exame.abril.com.br/brasil/70-dos-brasileiros-nao-tem-plano-de-saude-particular/
3http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/07/fe-pode-ajudar-muito-no-tratamento-e-cura-de-doencas-defendem-medicos.html 

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