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Doenças da Alma - por Joanna de Ângelis


A causa de todo transtorno e disfunção grave que tenha lugar na organização celular do ser humano ou nos tecidos delicados da sua psique, encontra-se fixada no Espírito, o incansável desbravador dos horizontes inconquistados do progresso, que os insculpe como necessidades evolutivas.

Das ocorrências teratológicas às enfermidades degenerativas, às infectocontagiosas devastadoras, aos distúrbios psicológicos e psiquiátricos, ao aprofundar-se as sondas da investigação na procura da sua gênese, ei-la nos refolhos do ser profundo, preexistente ao corpo e a ele sobrevivente.

As ideias acalentadas durante a reencarnação e fora dela emitem ondas de ação poderosa que se encarregam de plasmar no perispírito efeitos correspondentes que se convertem em futuras necessidades evolutivas, seja através de conquistas ou de prejuízos morais, facultando o surgimento futuro de facilidades iluminativas assim como de deficiências corretoras.

A educação da mente é atividade do Espírito, que se porta conforme o nível evolutivo em que se encontra, ampliando a capacidade de discernimento e de elucubração, ou fixando-se em vícios e falsas necessidades de comportamento.

O renascimento, no corpo somático, proporciona a colheita das construções mentais, impulsionando para a glória estelar, seja pelas aquisições intelecto-morais, seja através do sofrimento, que lhe deve constituir estímulo para a depuração das falhas e para a recuperação do equilíbrio.

Enfermidade, portanto, é resultado de inarmonia das vibrações emitidas pelo ser pensante.

Essas ondas incessantes, que partem do dínamo mental gerador, interferem, desde a concepção, no instrumento fisiológico, gerando distúrbios psicológicos, psiquiátricos e orgânicos.

Todo o arcabouço celular movimenta-se no molde semimaterial do perispírito, que é o modelo organizador biológico.

Desde que as suas interações vibratórias se encontrem em distonia particular ou geral, será organizado o equipamento físico com esses mecanismos conforme se estruturam, dando surgimento aos impositivos retificadores.

As enfermidades da alma podem ser assinaladas como egoísmo, ambição, prepotência, orgulho e soberba, ódio e ciúme, ressentimento e vilania de caráter.
Sentimentos esses, mórbidos, emitem contínuas ondas de malquerença, de presunção, de falso poder, que desarticulam as memórias das células, facultando o surgimento de patologias físicas, emocionais e psíquicas, necessitadas de rearmonização.
Tudo vibra no Universo.
Nele não existe o repouso inútil, que não passa de fraqueza da percepção daquele que o observa. com Igualmente tudo se expressa dinâmico e transformador.

A agitação, no mundo microscópico, repete-se no macroscópico.
Da mesma maneira, o mundo mental em atividade responde pelo mundo físico em materialização.


Não seja, portanto, de surpreender, que as doenças da alma refletem-se em graves turbulências do sentimento como solidão, vazio existencial, medo, angústia, depressão, quando se trata de problemas psicológicos mais suaves.

Além deles, repontam as psicoses mais profundas, como os transtornos obsessivo-compulsivos, as de natureza esquizofrénica-autista, catatônica... em verdadeiros desafios às ciências especializadas, que possuem poderosos recursos terapêuticos, nem sempre de resultados positivos.
Procedentes do cerne do Espírito rebelde, desajustado, necessitam, igualmente, de remoção das pesadas cargas injuriosas que lhe pesam na economia emocional, renovando os sentimentos e conscientizando-se da própria realidade.

Ao lado dos tratamentos acadêmicos, o paciente necessita de estímulos espirituais, a fim de que desperte do letargo a que se permite, devendo modificar as paisagens mentais, adicionando pensamentos edificantes, mesmo que inabituais, interesse pelo autoconhecimento, a fim de neutralizar as sucessivas ondas de pessimismo e revolta em que se enovela...
Felizmente, o Espiritismo dispõe de um magnífico arsenal de psicoterapias originadas no Evangelho de Jesus, destacando-se o amor como a de mais fácil e mais rápida aplicação.

Não há questão embaraçosa que o amor não solucione.

E necessário trabalhar-se em favor do autoamor, porque, em muitas das enfermidades da alma, a autoculpa, a autorrejeição têm predominância íntima nas reflexões que muitos fazem de si mesmos.
Evitando conscientizar-se dessas ocorrências, o indivíduo derrapa nos transtornos de conduta, especialmente no que diz respeito à afetividade bipolar.

A liberação da consciência de culpa dá-se com segurança mediante o amor que se permite desenvolver nos sentimentos tumultuados.
Partindo-se da compreensão de que todos merecem ser amados, mesmo os mais terríveis indivíduos, porque portadores de graves enfermidades espirituais, o autoamor inicia-se através da compreensão dos próprios limites e das dificuldades pessoais ainda não resolvidas.

Ampliando-se, também, a meditação em torno do sofrimento, um natural anseio pela conquista da saúde passa a ocupar os vazios mentais, trabalhando em favor da autorecuperação.
E o amor, portanto, operando a renovação pessoal e estimulando ao avanço na direção do futuro melhor.

Ao mesmo tempo, a oração ungida de sinceridade, na qual são liberadas as energias deletérias acumuladas nos refolhos d'alma, abre um canal com a Divindade, da qual fluem bênçãos, a partir do momento singelo da vinculação, aumentando as cargas benéficas, à medida que se aprofundam os colóquios e as rogativas sinceras em favor da paz.

A bioenergia, renovando as vibrações que penetram no organismo debilitado ou desorganizado, restabelece, a pouco e pouco, o equilíbrio das células e dos seus respectivos departamentos, produzindo harmonia generalizada, portanto, contribuindo em favor da saúde geral.

As conversações edificantes abrem novos campos de samento, liberando dos clichês viciosos e entorpecentes, geradores dos distúrbios.

Sob qualquer ângulo considerado, o papel do paciente é de grande importância, a fim de que as suas doenças da alma cedam lugar ao bem-estar em favor da vida.


Sempre que o Mestre era solicitado a curar alguém, Ele interrogava se o paciente acreditava que isso era possível, se desejava, uma vez que Ele podia fazê-lo...

Logo depois de restaurar-lhe a saúde, advertia-o contra os fatores geradores dos gravames, emulando-o à mudança de conduta, ao trabalho de iluminação interior, sem o que, as enfermidades retornavam pioradas.

Indispensável, portanto, que todos os indivíduos, enfermos ou não, mantenham um programa de saúde espiritual, centrado na Lei de Amor, de modo que as deficiências e problemas que lhes ocorram, não consigam afetar-lhes o equilíbrio interior, fonte geradora de felicidade.


Do livro 'O Amor Como Solução' (2006), por Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco. Editora LEAL

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